Incertesa

Written on 09:40 by Pix 82.

Eu observava aquele rapaz com um ar questionador, afinal ele me aguçara a curiosidade e me fizera tentar decifrar seus pensamentos e seus sentimentos.

Um rapaz elegante, mas que trazia no semblante uma tristeza arrasadora, que fazia qualquer transeunte parar e observá-lo nem que fosse por um momento.

Com uma caneta na mão e um papel apoiado sobre um pedaço de madeira em seu colo ele redigia algo, e este algo era o que vinha ainda mais aguçar minha curiosidade e me fazia perguntar a mim mesmo o que estava sendo ali traçado.

Pela tristeza facial do rapaz eu imaginava ser uma carta de despedida da vida, parecia ser uma daquelas cartas que alguém que decidira se matar escreve, mas como ter certeza? Eu já me sufocava... para continuar a ler clique aqui!

Abraço de Prostituta!

Written on 17:46 by Pix 82.

Aquele abraço não foi um abraço comum, foi mais forte, foi mais sincero, foi um abraço de alguém que sofre, que precisa de apoio, que é desprezada pela sociedade, pelo homem, pela mulher, pelo ateu, pelo cristão, pelo bom e pelo mal.
Naquele abraço vinha sangue, vinha ternura, medo, incertezas, lágrimas e sorriso... um abraço, o abraço, aquele abraço...
O abraço de quem pôde por um momento ouvir que não é inferior a ninguém, que é valiosa.
Não foi um simples abraço, não foi um abraço qualquer, foi O abraço.
Ela tão extrovertida, tão desinibida, faladeira, parecia que trazia a felicidade embalada pra todo mundo, mas na verdade a felicidade estava amassada e envolta na tristesa que a imitava.
Um dia foste criança, adolescente e agora é uma mulher que a vida insiste em lhe dar porradas, insiste em massacrar, insiste e insiste em dizer que o nada é superior.
Vida não faz assim, vida deixe-a viver, vida por que tanta bondade com uns e tanto desprezo com outros.
Ela sabe amar, ela sabe querer, ela sabe sonhar, sabe desejar mas não sabe se libertar. Os motivos de não saber ela também não sabe.
Vida, me dê as chaves do cadeado, das correntes que a amarram. Vida me dê liberdade pra eu libertá-la, pra eu poder vê-la agradecer a vida.
E pisam-na, a humilham como se fosse trapo jogado. Farrapo inútil, objeto de desejo de quem a pisa. Dos pés que a pisam nasce seu sustentáculo, estes pés financiam sua ambição, financiam seu desespero, financiam seu medo.
Às vezes é confidente, é amante, é namorada. Às vezes é apenas um brinquedo prestes a ser jogado fora por homens que já não têm a inocência de uma criança.
Pra mim ela é mulher... e dessa mulher surgiu o abraço que não me sai da mente, esse abraço que não é em função da experiência, mas do desejo de ser reconhecida como gente. É o abraço forte, cativante, é o abraço de prostituta.

Insanidade Pintando na Área

Written on 17:31 by Pix 82.

Olá visitantes anormais desse espaço, sei que quem aqui visita está procurando morcegar, e disso tem muita gente que entende... mas eu não (isso se o chefe ler aqui).

Acabei de ser convidado pelo meu amigo Carlos para ajudá-lo nessa empreitada. Como eu já tenho outro blog (http://www.eueascronicas.blogspot.com/) e gosto da idéia de escrever pros outros lerem topei e estou disposto a contribuir.

Aguardem, não demorarei para postar... basta apenas que eu esteja inspirado, expirado, inspirado... e deixa quieto!

O Porteiro do Puteiro

Written on 16:09 by c4rlos² s4ntos²

Não havia no povoado pior ofício do que 'Porteiro do Puteiro', mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?
O fato é que nunca tinha aprendido a ler e nem a escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.
Um dia, entrou um Gerente do Puteiro, um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções. Ao porteiro disse:

- A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações, sobre os serviços.
- Eu adoraria fazer isso, Senhor - balbuciou - Mas eu não sei ler nem escrever!
- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.
- Mas...Senhor não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.
- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo Senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero... que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Sem mais, nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?
Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho. Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego, mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa. Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim o fez.
No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:
- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
- Sim, acabo de comprá-lo, Mas eu preciso dele para trabalhar... Já que....
- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
- Se é assim, está bom.
Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:
- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem de mula.
- Façamos um trato - disse o vizinho.
- Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?
Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias... e aceitou!... Voltou a montar a sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.
- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece?
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, um martelo uma chave de fenda e uma talhadeira. Pagou... e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: 'Não disponho de tempo para viajar para fazer compras'. Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.
A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas. Agora, como Vendedor de Ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.


Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira Loja de Ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele. Já não viajava... os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, do que gastar dias em viagens. Um dia ele lembrou de um amigo seu, que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc.. E após, foram os pregos e os parafusos...
Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero Fabricante de Ferramentas.
Um dia decidiu doar uma Escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da Escola, o Prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:
-É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do Livro de Atas desta nova escola.
- A honra seria minha - disse o homem. Seria a coisa, que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.
- O Senhor?!?! - disse o prefeito sem acreditar. O Senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto: - O que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?
- Isso eu posso responder - disse o homem com calma. Se eu soubesse ler e escrever... Ainda seria o Porteiro do Puteiro!!!


Geralmente as mudanças são vistas como adversidades. As adversidades podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas. Lembre-se da sabedoria da água: 'A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna'. Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas. ' Não há comparações entre o que se perde por fracassar e o que se perde, por não tentar'.